Como montar uma funilaria e pintura básica: preparação, ar e acabamento com 17 produtos
Guia técnico para montar uma funilaria e pintura básica: reparo de chapa, lixamento, rede de ar, pistola HVLP, segurança e 17 produtos.

Uma funilaria e pintura básica pode começar reparando amassados leves e médios, preparando peças e aplicando primer, base e verniz, mas só deve pintar quando tiver uma área de pulverização projetada para controlar vapores, névoa, poeira e fontes de ignição. Os 17 produtos desta seleção cobrem parte importante do trabalho: desmontagem, conformação manual e hidráulica, desbaste, lixamento, suporte de peças, distribuição de ar e aplicação com pistola HVLP. Eles não formam, sozinhos, uma instalação de pintura completa.
Ainda serão necessários compressor dimensionado pela vazão real, reservatório e tratamento de ar, cabine ou área de pintura legalmente adequada, exaustão e reposição de ar, iluminação apropriada, aterramento, armazenamento de inflamáveis, sistema de aspiração de pó, EPIs definidos pela avaliação de risco e equipamentos de combate a incêndio. Também faltam solda, extração por repuxo, consumíveis, balança de mistura, instrumentos de inspeção e polimento. O caminho seguro é montar a operação por processo e liberar cada serviço somente quando todos os seus requisitos estiverem prontos.
O que uma funilaria básica consegue atender
Com boa técnica e os complementos corretos, a estrutura básica atende desmontagem de acabamentos, correção de pequenos e médios amassados com acesso ao verso, repuxo mecânico em pontos compatíveis, alinhamento localizado com esticador hidráulico, preparação de chapas e peças plásticas conforme o sistema de pintura, lixamento de massa e primer e repintura de peças avulsas ou painéis.
O limite deve ser definido antes de receber o carro. Danos em longarinas, colunas, pontos de ancoragem de cintos, alojamentos de suspensão e regiões que afetam geometria exigem medição estrutural, dados de reparo do fabricante, dispositivos de ancoragem e, muitas vezes, uma bancada de estiramento. A presença de um esticador hidráulico não transforma a oficina em centro de reparo estrutural.
Veículos modernos também combinam aços de diferentes resistências, alumínio, adesivos estruturais e zonas de deformação programada. Aquecer, furar, soldar ou puxar uma peça sem conhecer o material pode alterar sua resistência. Consulte o procedimento de reparação do modelo e substitua o componente quando o fabricante não autorizar a recuperação.
Divida a oficina por risco e por nível de limpeza
O fluxo ideal avança da área mais contaminante para a mais limpa. Separe recepção e desmontagem, reparo de chapa, preparação com lixamento, mistura de produtos, pulverização e acabamento. Faíscas de esmerilhamento não podem alcançar névoa de tinta, solventes ou panos contaminados. Poeira de massa não deve circular até a cabine nem voltar para uma peça já limpa.
A área de pintura precisa controlar entrada e saída de ar. Ventilador comum, extensão elétrica e luminária improvisada podem se tornar fontes de ignição. O projeto deve considerar os produtos utilizados, volume armazenado, classificação de áreas, componentes elétricos, aterramento, filtragem, vazão de exaustão, reposição de ar e destinação das emissões. Um profissional habilitado deve verificar as exigências locais de incêndio, meio ambiente, edificação e segurança do trabalho.
Mantenha a sala de mistura separada e organizada. Cada tinta, catalisador, diluente, desengraxante e massa precisa conservar rótulo e ficha com dados de segurança. A NR-26 exige classificação e comunicação dos perigos dos produtos químicos, além de acesso dos trabalhadores às fichas de segurança.
Recepção, desmontagem e proteção do veículo
Registre o dano com o carro limpo e sob luz que permita ver reflexos. Fotografe folgas entre painéis, estado da pintura ao redor, trincas, corrosão, itens internos e luzes no painel. Confirme se o orçamento inclui desmontagem, reparo, pintura, materiais, polimento, presilhas e calibrações ou diagnósticos que possam ser necessários depois da montagem.
Antes de lixar, identifique a extensão real do dano. Uma camada espessa de massa antiga pode esconder corrosão ou reparo estrutural. Meça alinhamentos e vãos, marque a área de intervenção e defina onde termina a tinta que será removida. Essa decisão evita aumentar desnecessariamente o reparo.
A caixa sanfonada com 68 peças fornece chaves, soquetes, alicates e martelo para desmontagem geral. Faça um mapa dos compartimentos e mantenha bandejas identificadas para cada veículo. Presilhas, parafusos e conectores misturados são uma causa comum de ruído, folga e quebra na remontagem. Soquetes manuais do jogo não devem ser usados em ferramentas de impacto.
O macaco jacaré de 2 toneladas pode elevar o veículo para retirar rodas ou acessar fixações inferiores, respeitando capacidade, piso e pontos de apoio. Ele não sustenta o carro durante o trabalho. Use cavaletes compatíveis, calços e procedimento de bloqueio; esta seleção não inclui os cavaletes, portanto eles entram antes de qualquer serviço sob o veículo.
Desconecte sistemas elétricos apenas quando o procedimento do veículo pedir e preserve memórias ou configurações conforme a documentação técnica. Antes de soldar, cortar ou aquecer, remova acabamentos, espumas e materiais combustíveis da zona afetada e verifique o lado oculto da chapa.
Martelo e tasso: corrija a forma antes de aplicar massa
O jogo de sete peças com martelos e tasses atende diferentes curvaturas e áreas de acesso. O tasso apoia a chapa pelo verso e o martelo desloca o metal de maneira controlada. O objetivo não é bater até a superfície parecer plana sob uma única luz, e sim recuperar forma, tensão e transições sem alongar ainda mais a chapa.
Use golpes leves e observe o reflexo entre cada sequência. No trabalho “sobre o tasso”, martelo e apoio se encontram e podem esticar o metal; no trabalho “fora do tasso”, o apoio fica deslocado e ajuda a reduzir uma ondulação com menor alongamento. A escolha depende do dano. Marcas profundas criadas pela ferramenta aumentam o lixamento e a espessura de massa depois.
A marreta dinâmica com cinco ponteiras aplica tração em pontos de difícil acesso. Escolha a ponteira e o ponto de fixação de acordo com a chapa e com o método autorizado. A massa deslizante deve percorrer o eixo livremente, e ninguém pode permanecer atrás da trajetória. Proteja mãos e face e evite puxadas violentas que criem um pico ao redor do ponto de ancoragem.
Quando a ferramenta exigir soldar arruela, pino ou outro elemento à chapa, a operação já depende de equipamento e procedimento de soldagem, remoção de revestimentos, proteção contra incêndio e controle do lado interno do painel. Não fixe a marreta em estrutura crítica nem abra furos como atalho sem dados de reparo.
Esticador hidráulico: força sem medição aumenta o dano
O esticador hidráulico Ribeiro RE0001 trabalha com capacidade nominal de 6 toneladas, curso de pistão de 135 mm e conjunto de tubos, extensões e bases. Ele pode empurrar ou separar pontos durante correções localizadas. A capacidade máxima não é uma meta operacional: a peça, os apoios e a carroceria podem falhar antes do cilindro.
Planeje a direção da força e a reação antes de pressurizar. A base deve apoiar numa região capaz de distribuir carga, sem componentes frágeis, chicotes, vidros ou ocupantes no caminho. Use contenção adequada, aumente a pressão aos poucos e meça o deslocamento. Extensões desalinhadas podem escapar lateralmente. Mangueira danificada, conexão vazando ou descida irregular retira o conjunto de uso.
O esticador não substitui bancada de alinhamento, torre de tração ou sistema de medição tridimensional. Em dano estrutural, a oficina precisa comparar pontos de referência e acompanhar o movimento em mais de um eixo. Se não houver especificação e ancoragem confiável, terceirize o reparo.
Morsa e limas para trabalho de bancada
A morsa número 8 Metalsul oferece mordentes e abertura próximos de 203 mm para segurar suportes, pequenas peças e materiais durante ajustes. Fixe-a numa bancada dimensionada e use mordentes macios para não marcar superfícies. Ela não é ponto de ancoragem para puxar uma carroceria nem prensa para operações além do seu projeto.
A lima chata murça de 6 polegadas possui corte fino e serve para acabamento e retirada controlada de rebarbas em superfícies acessíveis. A lima quadrada bastarda de 10 polegadas remove material com mais agressividade em cantos, aberturas e geometrias compatíveis. Elas não são alternativas diretas: formato e grau de corte determinam a aplicação.
Prenda a peça, use cabo firme, empurre a lima no sentido de corte e alivie na volta. Limpe os dentes com escova própria; partículas presas riscam a superfície. Não use lima sem cabo, porque a espiga pode perfurar a mão. Em painéis externos, remova o mínimo possível e confirme a espessura antes de tentar eliminar imperfeições por desbaste.
Esmerilhadeira: preparação pesada fora da área de pintura
A esmerilhadeira angular Makita 9557HNG de 4 1/2 polegadas, 840 W e 220 V serve para desbaste e corte com acessórios compatíveis. Em funilaria, pode remover cordões, pontos e material em reparos que tenham procedimento definido. É agressiva demais para substituir uma lixadeira de acabamento.
Use disco com diâmetro, rotação e finalidade compatíveis; mantenha a proteção instalada e a empunhadura auxiliar firme. Inspecione o disco, faça teste em vazio numa posição protegida e direcione faíscas para longe de pessoas, vidros, estofamentos, mangueiras e produtos inflamáveis. Não adapte disco de serra para madeira nem use a lateral de disco de corte.
Esmerilhar tinta, galvanização, primer e resíduos produz partículas e fumos com composição variável. Remova revestimentos pelo método indicado, aspire na fonte quando possível e defina proteção respiratória pela avaliação de risco e pela ficha do material. Toda operação com faísca deve ocorrer longe da mistura e da pulverização. Veja também como escolher uma esmerilhadeira de 4 1/2 ou 5 polegadas.
Lixamento: controle de corte, planicidade e poeira
A lixadeira pneumática roto-orbital Chiaperini CHO15-6 trabalha com disco de 6 polegadas, rotação sem carga informada de 9.000 rpm, pressão de 90 psi e consumo aproximado de 4 pcm. O movimento roto-orbital reduz marcas circulares, e o bocal de aspiração permite conectá-la a um extrator adequado. Ter o bocal não significa que o pó será controlado sem mangueira, aspirador e discos perfurados compatíveis.
Use bloco manual nas áreas em que a forma precisa ser lida, principalmente transições e linhas. A máquina acelera, mas também pode cavar a massa ou arredondar um vinco. Comece com abrasivo compatível com a etapa, use guia de lixamento e avance de grão sem saltos grandes. Troque o disco quando ele perder corte; aumentar pressão gera calor, fecha o abrasivo e altera a superfície.
Nunca lixe massa antes da cura indicada. Remova pó entre etapas sem espalhá-lo com ar comprimido pela oficina. A preparação final deve mostrar transição suave, ausência de poros, riscos compatíveis com o primer e bordas sem tinta solta. A mão percebe ondulações que o olho não vê, mas a régua e a luz rasante tornam a avaliação repetível.
Suporte de peças: pinte sem tocar e sem improvisar
O suporte tipo arara Fortg CAR-15363 recebe portas, capôs, para-choques e peças semelhantes, com dimensões aproximadas de 90 cm de comprimento, 154 cm de altura e 124 cm de largura. Antes de usar, confirme o peso e a geometria da peça, distribua os apoios e trave o conjunto. O produto não deve obstruir saídas nem reduzir o corredor de circulação.
Posicione a peça na orientação que permita manter distância e ângulo constantes com a pistola. Apoios devem tocar áreas que não serão pintadas ou receber proteção compatível. Limpe o suporte entre trabalhos; tinta solta e pó acumulado podem contaminar o acabamento seguinte.
Dimensione o ar pela vazão simultânea
Pressão no reservatório não revela se o compressor sustenta a ferramenta. Some o consumo das operações que podem funcionar juntas, converta todas as unidades para a mesma base e aplique margem para perdas, vazamentos e ciclo de trabalho. Verifique a vazão efetiva entregue pelo compressor, não apenas o deslocamento teórico do cabeçote.
A lixadeira pede cerca de 4 pcm a 90 psi. A pistola HVLP desta seleção informa consumo de 9,5 pcm a 40 psi na configuração com bico de 1,7 mm. Se as duas puderem operar ao mesmo tempo, o sistema precisa entregar a soma no ponto de uso, além da margem. Reservatório maior reduz oscilações curtas, mas não corrige um compressor que produz menos ar do que a demanda contínua.
O rolo de mangueira trançada de 5/16 polegada e 50 metros pode formar chicotes ou trechos de distribuição, respeitando a pressão, a temperatura e a compatibilidade informadas pelo fabricante. Uma mangueira estreita e longa aumenta a perda de carga. Para HVLP, confirme o diâmetro interno, o comprimento e a vazão real com a pistola acionada.
O adaptador Arcom faz a transição entre rosca macho de 1/2 polegada e mangueira de 5/16. Use abraçadeira ou terminal previsto para a mangueira, sem cortar fios da trama. Rosca, pressão e material precisam coincidir com o restante da instalação.
O engate rápido Fortg FG8683 possui rosca fêmea de 1/4 polegada. Já o adaptador FG8686 é descrito como rosca fêmea NPT de 1/4 polegada. Antes de combinar conexões, confirme padrão, passo e perfil: NPT e BSP não devem ser forçados um no outro apenas porque têm o mesmo diâmetro nominal. Use vedação indicada para o tipo de rosca e faça teste de estanqueidade.
Engates também limitam vazão. Se a pressão cai quando a pistola abre, meça antes e depois do regulador, da mangueira e do engate. Trocar o compressor sem localizar a restrição pode manter o defeito.
Separe o ar de ferramentas do ar de pintura
O conjunto Fortg FG0002.MH reúne filtro, regulador e lubrificador com rosca de 1/2 polegada BSP, filtragem informada de 40 micra, faixa de 0 a 10 bar e fluxo nominal de 2.500 L/min. Ele é útil para regular e lubrificar ferramentas pneumáticas que aceitam óleo na alimentação.
Não alimente a pistola de pintura pelo lado lubrificado. Aerossol de óleo causa crateras, perda de aderência e contamina todo o sistema. Crie ramais separados: um para ferramentas que exigem lubrificação e outro dedicado à pintura, com ar seco e sem óleo, filtragem adequada e regulador próximo ao ponto de uso. Se a lixadeira tiver aspiração e o fabricante pedir lubrificação, mantenha sua linha longe da cabine.
O filtro de 40 micra não substitui sozinho a sequência de separação de água, partículas finas e óleo necessária para pintura. Instale drenos nos pontos baixos, incline a linha conforme o projeto, afaste a tomada de ar quente da saída imediata do compressor e acompanhe condensado. Em clima úmido ou uso intenso, pode ser necessário secador e filtros coalescentes. A qualidade precisa ser verificada no ponto de uso.
Pistola HVLP: ajuste com a tinta preparada e o gatilho acionado
A pistola Steula BC75-14 possui caneca de 600 ml, bico de 1,4 mm, regulagem de ar, material e leque, pressão de trabalho informada entre 36 e 50 psi e taxa de transferência declarada de 60% ou mais. O consumo informado de 9,5 pcm a 40 psi refere-se à configuração com bico de 1,7 mm; por isso, use a ficha específica do conjunto montado antes de dimensionar o ar.
O bico de 1,4 mm costuma atender materiais de acabamento cuja ficha técnica aceite essa abertura. Primer de alto sólidos, base, verniz e produtos à base d'água podem pedir bicos, capas de ar e pressões diferentes. Siga a ficha do material e a recomendação da pistola. Diluir além do especificado para “passar no bico” altera cobertura, cura e resistência.
Regule a pressão com ar fluindo e o gatilho acionado. Prepare a mistura por peso ou volume conforme o sistema, respeite proporção, temperatura, viscosidade e vida útil após a catálise. Faça um leque de teste em papel ou painel: ele deve ser uniforme, sem concentração nas pontas, falhas no centro ou gotas. Ajuste ar, leque, distância, velocidade e sobreposição antes de chegar ao veículo.
Mantenha a pistola perpendicular à superfície e a distância estável. Inclinar no fim da passada deposita material de forma desigual. Limpe logo após o uso com solvente compatível, sem mergulhar o corpo inteiro nem introduzir arame que alargue o bico. Guarde bico, agulha e capa de ar como conjunto e substitua peças desgastadas juntas quando o fabricante recomendar.
Para entender onde a HVLP se encaixa, veja pistola elétrica ou com compressor: qual dá melhor acabamento e compressor de 10 ou 20 pés para oficina e pintura.
Processo de preparação e pintura
Comece com lavagem e descontaminação antes da desmontagem. Depois do reparo de metal, remova corrosão pelo sistema aprovado e aplique proteção anticorrosiva nos tempos previstos. Massa poliéster corrige pequenas irregularidades dentro da espessura recomendada; ela não substitui chapa alinhada nem fecha furo de corrosão.
Lixe a massa com guia de lixamento, refine as bordas e limpe. Aplique primer compatível sobre o substrato preparado, respeitando número de demãos, intervalo, temperatura e cura. Lixe o primer até eliminar defeitos sem atravessar a proteção nas bordas. Antes da pintura, faça limpeza final com produto e panos apropriados e controle estático e poeira.
Prepare cor e variante sob iluminação adequada. Faça placa de teste com o mesmo fundo, pressão, técnica e número de demãos que serão usados no carro. Compare de frente e em ângulos diferentes, porque cor, efeito e flop podem mudar. A técnica de esfumado depende do sistema de tinta e da área disponível; não tente corrigir uma variante errada apenas ampliando a área pintada.
Na aplicação, registre lote, mistura, horário, temperatura e umidade quando relevantes. Respeite o flash entre demãos. Verniz aplicado cedo prende solvente; aplicado tarde pode perder aderência entre camadas. Após a cura, inspecione sob luz difusa e pontual. Inclusões pequenas podem aceitar correção e polimento, mas escorrimento, fervura, falta de cobertura ou contaminação severa exigem diagnosticar a causa antes do retrabalho.
Vapores, isocianatos e incêndio
Tintas, vernizes, catalisadores e solventes podem ser inflamáveis e causar exposição por inalação e contato. A NR-20 vigente trata da prevenção e do controle de riscos com inflamáveis e combustíveis, incluindo projeto, análise de riscos, fontes de ignição, vazamentos e resposta a emergências. A quantidade e o ponto de fulgor dos produtos influenciam o enquadramento.
O Anexo 13 da NR-15 cita pintura a pistola com produtos que contêm hidrocarbonetos aromáticos e o emprego de isocianatos em poliuretanas. Não escolha respirador apenas pelo cheiro ou pela aparência da névoa. Leia a ficha de segurança de cada componente e faça avaliação de exposição; conforme o produto e o processo, pode ser necessária proteção respiratória com suprimento de ar, além de proteção ocular, vestimenta e luvas compatíveis.
A NR-6 exige EPI adequado ao risco, orientação, treinamento e conservação. Quando aplicável, o equipamento precisa de Certificado de Aprovação. Barba interfere na vedação de respiradores de ajuste facial; filtro vencido, saturado ou armazenado aberto não oferece controle confiável.
Guarde inflamáveis em quantidade e local compatíveis com o projeto. Mantenha recipientes fechados e identificados, segregue resíduos e use recipientes adequados para panos contaminados. Proíba chama, cigarro e equipamentos não aprovados. O plano de emergência deve definir alarme, abandono, combate inicial e contato com os serviços locais.
Ordem de compra recomendada
Na primeira fase, prepare o local: avaliação de riscos, ventilação, instalação elétrica, iluminação, combate a incêndio, armazenamento, bancada, morsa, cavaletes, ferramentas gerais e controle de resíduos. Sem essas bases, a oficina pode desmontar um carro e não ter como concluir o serviço com segurança.
Na segunda fase, monte a área de chapa com martelos e tasses, marreta dinâmica, limas e esticador hidráulico. Acrescente iluminação de inspeção, medição, proteção anticorrosiva, consumíveis e dados de reparo. A esmerilhadeira entra numa área separada da pintura, com controle de faíscas e poeira.
Na terceira fase, estruture a preparação: lixadeira roto-orbital, extração de pó, blocos, abrasivos por grão, guias, suporte de peças e limpeza. A produtividade vem da sequência correta de abrasivos e do controle de poeira, não de pressionar mais a máquina.
Na quarta fase, complete o sistema de ar e pulverização. Dimensione compressor e tubulação, crie ramais separados, instale secagem e filtragem, teste a vazão na pistola e valide cabine, exaustão e EPIs. Só então libere a aplicação de tinta. O investimento que falta nesta etapa costuma ser maior que o preço da pistola.
Manutenção que preserva o acabamento
Drene o reservatório e os pontos baixos na frequência definida pelo projeto. Inspecione mangueiras, engates e conexões; vazamentos desperdiçam energia e alteram o leque. Registre troca de filtros e manutenção do compressor. Verifique se existe óleo na linha dedicada à pintura com um teste apropriado antes de um serviço crítico.
Limpe a lixadeira e o sistema de aspiração, confira prato e velcro e troque mangueiras rachadas. Inspecione proteção, cabo e flange da esmerilhadeira. No esticador, observe cilindro, mangueira, conexões e retorno. Martelos e tasses devem permanecer sem rebarbas que marquem a chapa.
Na pistola, registre o conjunto de bico e a condição do leque. Desmonte somente o necessário, use escovas compatíveis e não misture peças entre pistolas. Uma falha de atomização pode vir de capa de ar suja, bico danificado, vedação, material fora da viscosidade, pressão insuficiente ou ar contaminado; encontre a causa antes de aumentar a pressão.
Erros que mais geram retrabalho
O primeiro é pintar no mesmo ambiente em que se lixa. Poeira suspensa volta para o verniz e aumenta polimento e repintura. O segundo é usar linha lubrificada na pistola; poucas gotas de óleo podem contaminar mangueira, regulador e acabamento.
O terceiro é escolher compressor apenas pelo tamanho do reservatório. A vazão efetiva e o ciclo de trabalho precisam sustentar a pistola. O quarto é usar massa para compensar metal mal alinhado. Espessura excessiva trinca, marca borda e altera a forma do painel.
O quinto é puxar estrutura sem medir. Uma dimensão melhora enquanto outra piora. O sexto é misturar roscas NPT e BSP. A conexão parece apertada, mas pode vazar ou romper. O sétimo é definir EPI sem consultar as fichas dos produtos e sem avaliar concentração, ventilação e tempo de exposição.
Perguntas frequentes
Os 17 produtos bastam para abrir a funilaria e pintura?
Eles formam um conjunto útil de ferramentas, mas faltam infraestrutura e equipamentos essenciais: compressor, cabine ou área de pintura adequada, exaustão, filtragem e secagem do ar, aspiração de pó, cavaletes, EPIs, iluminação, armazenamento de químicos, instrumentos e consumíveis. A pintura só deve começar depois que o sistema completo estiver validado.
A pistola de bico 1,4 mm aplica qualquer material?
Não. A ficha técnica da tinta define abertura, pressão, diluição, temperatura e processo. Muitos acabamentos aceitam 1,4 mm, enquanto primers de maior viscosidade podem pedir outro bico. Não altere a mistura apenas para fazê-la passar.
O filtro regulador com lubrificador pode alimentar a pistola?
Não pelo lado lubrificado. Óleo na linha contamina a pintura. Use ramal dedicado, seco e sem óleo, com filtragem adequada. Reserve a lubrificação para ferramentas pneumáticas que a exijam.
A mangueira de 5/16 polegada atende uma pistola HVLP?
Depende do comprimento, do diâmetro interno real, dos engates e da vazão. Meça a pressão com a pistola acionada. Se houver queda, aumente a seção útil ou remova a restrição conforme o projeto.
Posso corrigir longarina com o esticador de 6 toneladas?
Ter força suficiente não torna o reparo correto. Longarinas exigem dados do fabricante, medição, ancoragem e análise do material. Sem essa estrutura, o serviço deve ir para uma empresa equipada para reparo estrutural.
A lixadeira com bocal de aspiração elimina a poeira?
Somente quando conectada a um extrator compatível, com mangueira e discos adequados. Mesmo assim, permanece necessário controlar poeira no ambiente e usar a proteção definida pela avaliação de risco.
Respirador com cartucho para vapores orgânicos sempre resolve?
Não. Produto, concentração, ventilação, tempo e presença de isocianatos mudam a seleção. A ficha de segurança e a avaliação de exposição podem indicar respirador de pressão positiva ou suprimento de ar. Ajuste facial, treinamento, manutenção e troca de filtros também fazem parte da proteção.
Fontes técnicas consultadas
- Ministério do Trabalho e Emprego — NR-6, Equipamento de Proteção Individual.
- Ministério do Trabalho e Emprego — NR-15, Atividades e Operações Insalubres.
- Ministério do Trabalho e Emprego — NR-20, Segurança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e Combustíveis.
- Ministério do Trabalho e Emprego — NR-26, Sinalização de Segurança e Produtos Químicos.